sábado, 21 de novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

cor de laranja cortada em quatro partes iguais. reparto e multiplico as cores pela mão suculenta de fruta cítrica. lava isso menina! cuidado com a sujeira pelo chão. se alguém pisar na fruta derramada vai espalhar laranja por todos os lados. será o pé de laranja cortada. limpa isso menina! tira essa cor toda de laranja da palma da tua mão! corta a laranja no meio, faz um suco e joga a cor da laranja fora. joga fora o bagaço e limpa a sujeira cor de laranja cortada que deixa rastros. pensando melhor, nem corta! deixa a laranja na cesta junto com as outras. mamãe laranja, papai laranja, irmãos laranja. pensando melhor ainda: nem arranca a laranja do pé! mas não pise no pé de laranja porque este não deixa rastros como o pé de laranja cortada, deixa raízes. é a diferença entre o pé de laranja e o pé de laranja cortada. um dá vida, outro usa a vida. um é de laranja, outro pede laranja. pé de laranja cortada pede laranja. pé de pisar pede pisar na laranja. pé de cor de laranja cortada, suculento de fruta cítrica. pé de caminhos cor de laranja cortada pede caminhos. pé de caminhar pede caminhar. pé de pedir pede pedir. pedir-eção. direção.

é só seguir o rastro laranja. é só pisar.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

não querer
não saber
não querer saber
das louças se acumulando em pias
dos livros se acumulando em pilhas
das roupas se acumulando em cestos
de eu me acumulando em textos.

domingo, 15 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

com forma
se forma
sem forma
conforma
se formado
seu formato
sem forma
se for...
mato



'-so is it comfortable?
-i guess so. i mean, they kind of rub my ankles, but all shoes do that.
i have low ankles
- you think you deserve that pain, but you don't
-i don't think i deserve it
-well, not conscious. maybe
-my ankles are just low.'

Conformar com a forma da dor.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ele disse:
-Confiei na tua força, menina! Volte sempre aqui pra bater um papo!

Eu disse:
-Ok...!

Eu pensei:
'Força? Minha força? hehe.'

Não tenho força
Preciso
Não de parte, mas de tudo
De tudo que tive
Mas só tive parte
De um todo
De um tudo
De um, tudo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A maré...


A maré... acredito?
A maré só ir 'prá' frente
A maré Deus
A maré depende
A maré atitude
A maré conhecer
A maré não ser feliz sem ela
A maré
Afogamento
Afogamente.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Um SMS.

'e lá vem o amor me atordoar outra vez'

O amor vem atordoar.
Ator
Doar
Doer.
Atordoer.
Quem é o ator?
Quem doa, quem dói, quem atordoa?

Quero sair do palco.

Sobre cactos e farpas de madeira.

É que tudo passa rápido e não consigo segurar.
Quando corro atrás, caio e me machuco
mas não dói.
Espinhos, farpas... O que virá na próxima noite?
Mesmo assim durmo e sonho e corro...
Agarro com as mãos cactos e farpas
sem medo.
Talvez esse seja o único jeito de algo conseguir entrar

e se instalar

perfurando a minha pele
até sangrar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009





Precisa-se

domingo, 8 de novembro de 2009

-Sonhei com isso esta semana...
'Venho sonhando com isso há muito tempo.'

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Magia.

cada hora marcada
marcada cada hora
ora
contra o tempo
contar o tempo
contratempo
contrária ao tempo no ainda hoje
que é meio ontem e quase amanhã
daca hora cadamar
cada mar
cada amar
cada marcada
daca hora cadamar
cada mar
cada mor
cada amor
cada
mordida
daca hora cadamar
são as minhas palavras
para te enfeitiçar.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Portas.



algumas chaves naturalmente não cabem
algumas campainhas inteligentemente não funcionam
algumas mãos desesperadoramente não batem
algumas pernas vagarosamente se voltam
alguns passos fracassados desistem
algumas portas simplesmente não abrem.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

É um lugar escuro, cheio de gente no chão e de música no ar. E eu pensando nos lugares claros deste lugar escuro. Quem diz que luz e escuridão não podem ocupar o mesmo lugar é porque nunca esteve lá. Gente, muita gente que passa esbarrando, deixando em mim a cada encostar um pouco do suor, um pouco da pele morta nas fibras da roupa, no meu tecido. É aí que tu entras no texto. No lugar claro do lugar escuro eu te olho e sorrio de canto, é este sorriso cafajeste que te faz olhar de volta, olhar dentro dos meus olhos escuros como o lugar que estamos. Entras no meu lugar escuro com esse jeito que eu não decifro de aparecer e sumir e ao mesmo tempo saber de tudo, de mim, de tudo de mim. Tens o poder do invisível e isso não vale! Cretinamente invisível. Apareces quando queres e eu te quero quando apareces. Aí desapareces. Te quero quando desapareces em meio a teus cabelos escuros como meus olhos, como o lugar. Então a luz da chama do isqueiro que acende teu cigarro ilumina teu rosto escondido e te olho. A chama do teu rosto reflete no meu olho escuro a luz que tu riscas, que te risca. Quem diz que luz e escuridão não podem ocupar o mesmo lugar se engana, não é mesmo, menina? O escuro do meu olho misturado no escuro do teu cabelo no claro do lugar escuro de novo. Quero ter que ir embora de novo para olhar de novo o escuro do teu olho escuro como o meu me olhar no claro e dizer 'vá' - como quem não liga - e saber que tuas mãos e tua boca me querem quando teu olhar mentiroso se esconde para me beijar e apertar contra o claro do lugar escuro porque não tem problema que esteja assim. Deixa teu suor, teu cheiro, tuas células de pele clara, tua saliva na minha roupa, no meu tecido escuro. Tens o poder... Devolve-me amigavelmente você?

terça-feira, 3 de novembro de 2009


Sentarás ao meu lado no banco da praça, ou no banco do ônibus. Ou estarás na minha frente na fila do Itaú, ou atrás na do caixa rápido do Carrefour. Ou estarei descendo as escadas enquanto sobes e vamos esbarrar derrubando folhas e livros. Ou então serás o motorista do táxi que chamarei apressada num dia de atraso que encostará subitamente o carro no meio da corrida para o meu desespero, olhará pra trás ao som de buzinas e xingamentos dos motoristas que passam e dirá olhando profundamente os meus olhos:

'Me dá tuas mãos! Vou ler a tua sorte, guria.'

Tu que eu não conheço segurarás firme meus pulsos e meus dedos tremerão avermelhados de medo. De curiosidade. Passarás teus dedos sobre minhas linhas e em teu rosto haverá uma espécie de charada forjada. Sim, tu me conheces.
Então eu perguntarei, indignada, gritando: 'o que está acontecendo? Não tá vendo que tô atrasada e tu tá causando um caos no trânsito, idiota?'
Mas tu vais ler o que minhas mãos, olhos, ouvidos, braços, pernas, sobrancelhas perguntam: 'fala logo o que estás vendo! ME FALA! Preciso saber!'
Pacientemente apontarás para uma das linhas e dirás:

'tá vendo esta aqui? Esta é linha da tua vida, guria...'

Eu olharei para minhas mãos como quem tenta projetar as imagens de um filme de vinte e poucos anos de duração e tu dirás antes de desaparecer para sempre do banco, da fila, da escada, do táxi, da minha linha...

'e a tua mão é grande, guria...'

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

.
'Pensei em você. Eram exatamente três da tarde quando pensei em você. Sei porque perdi a cabeça como se você fosse uma tontura dentro dela e olhei o digital no meio da avenida.


Corre, corre. O número do telefone dissolvendo-se em tinta na palma da mão suada. Ah, no fim destes dias crispados de início de primavera, entre os engarrafamentos de trânsito, as pessoa enlouquecidas e a paranóia à solta pela cidade, no fim desses dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa, e passa a mão na minha cara marcada, no que resta de cabelos na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu olho. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços, você cobre com a boca meus ouvidos entupidos de buzinas, versos interrompidos, escapamentos abertos, tilintar de telefones, máquinas de escrever, ruídos eletrônicos, britadeiras de concreto, e você me beija e você me aperta, e você me leva para Creta Mikonos, Rodes, Patmos, Delos, e você me aquieta repetindo que está tudo bem
, tudo bem, tudo bem. O telefone toca três vezes. Isto é uma gravação deixe seu nome e telefone depois do bip que eu ligo assim que puder, ok?

O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias. Não tomo banho. Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu. E basta fechar os olhos pra naufragar outra vez e cada vez mais fundo na tua boca. Abismos marinhos, sargaços. Minhas mãos escorrem pelo teu peito, gramados batidos de Sol, poços claros. Alguma coisa então pára, as coisas param. Os automóveis nas ruas, os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos ver aqui no fundo da cidade escura. Olho no poço do teu olho escuro, meia noite em ponto. Quero fazer um feitiço pra que nada mais volte a andar. Quero ficar assim, no parado. Sei com medo que o que trouxe você aqui foi esse meu jeito de ir vivendo como quem pula poças de lama, sem cair nelas, mas sei que agora esse jeito se despedaça. Torre fulminada, o inabalável vacila quando começa a brotar de mim isso que não esta completo sem o outro. Você assopra na minha testa. Sou só poeira, me espalho em grãs invisíveis pelos quatro cantos do quarto.

(...)

A cidade está louca, você sabe. A cidade está doente, você sabe. A cidade está podre, você sabe. Como gostar limpo de você no meio desse doente podre louco?'

-Anotações sobre um amor urbano-
Caio Fernando Abreu, meu conterrâneo. :)

sábado, 24 de outubro de 2009

Poema de vidro.

Livros nas mãos, nas mesas, sorrisos, histórias, pernas cruzadas, mão esquerda no queixo, mão direita na caneta, pensamento no vento ventilador que espalha as palavras para além dos vidros da janela. Para além dos vidros dos pensamentos transparentes. Imagem para dentro dos vidros das lentes que aumentam a realidade, que distorcem a realidade da janela da alma. Deixa o olho ver o que ele quer ver. Vidro que interfere, que marca, que suja, que embaça. Vidro dos olhos das janelas dos prédios. Que racha, que quebra. Abre as cortinas beges para eu poder ver a cor negra do vidro da noite que cai, que sobe e atravessa. Que cresce, que desce, que passa e vai embora. Então o vidro fica azul claro, manchado de branco. Dia que chega, que cai, que sobe e atravessa. Que cresce, que desce, que passa e vai embora. Vidro negro, metamórfico, da cor da minha tinta. Céu nas minhas mãos, nos meus traços e garranchos. Céu no meu controle. Controle de vidro, que quebra.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

'But if by chance you change your mind you know I will not let you down
'cause we were the special two, and we'll be again.
And we will only need each other, we'll breathe together,
Our hands will not be taught to hold another's,
When we're the special two.
And we can only see each other we'll bleed together,
These arms will not be taught to need another...
'cause we're the special two.'



Senta aqui.
Sinto aqui.
Sentir.
Senti.
Sem ti?
Nah!
:)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009


Uma coisa é certa:
Fui aumentando, expandindo.
E quando vi, não cabia em mais nada.
Posso até tentar entrar na tua casa, mas partes de mim ficarão para fora.
Dentro, só o meu espaço imóvel, em inflante crescimento
Cheio de ar.
Cheio de ar.
Cheio de ar
rependimento.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009


eu só queria estar

onde meu coração está

é isso.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pares.

.
Abre aspas.

Parei na tua frente.

Parei no teu sorriso entre parênteses.

Parênteses, delimitadores. Expressão, ilimitada.

Parei no teu sorriso.

Parei de brincadeira.

Fecha aspas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Power balance.


Bateria na pele pra aumentar elasticidade, intensificar a força e dar equilíbrio.

Todo o mundo quer testar a novidade.

Pela corrente sangüínea. Genial!

Bateria no coração pra aumentar elasticidade, intensificar força e dar equilíbrio.

Bateria.

Bateu!

Batido.

Abatido.

Tido.

Não tem +

Nem -

Nem pólos.

Ai, bateria.

No meu coração. Bateria?

Bateria.

No meu coração

Carga.

[Power balance colocado como 'bateria' apenas para fins 'poéticos'.]

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

.
'Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.'


Drummond.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Viciei!

.
Teenage dreams in a teenage circus
Running around like a clown on purpose.

domingo, 27 de setembro de 2009

Tudo...

.
o que eu penso me faz querer chegar
a um não fazer,
a um não andar,
a um não atender,
a um não ligar.
.
Tudo o que eu penso me faz querer chegar
a um esquecer,
a um não gostar,
a um não querer,
a um não tentar.
.
Tudo que o eu penso me faz querer chegar
a um desistir,
a um ignorar,
a um permitir,
a um viajar.
.
Tudo o que eu penso.
.
Tu que eu penso.
.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Coisas que eu esqueço...



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mais ou menos isso...


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Vamos trocar a frequência.
Beijo, Jani!
meu amordcão ;-)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Um segundo.

Ela pega sua cadeira de praia, abre a porta, passa pelo pátio e destranca o portão. Pisa na calçada, espera o cachorro sair também e tranca novamente. Atravessa a rua, arma a cadeira listrada e colorida na grama do terreno baldio e aconchega seu corpo naquele pedaço de plástico trançado desconfortável, mas de praia. Imaginava com ele sentar-se na areia, ver e ouvir o balanço e a quebra das ondas? Talvez não. Quem sabe estivesse ocupando sua ociosidade ao observar o desnível realista do calçamento da rua à frente, o balanço das folhas da árvore robusta sobre a cabeça ou acompanhando o vai e vem das moléculas de oxigênio que inalava e das de gás carbônico que expelia através da tosse que, muito além de possível afogamento ou bronquite, representava pulmões cansados, que já respiraram tanto neste planeta que não aguentam mais.
Pensava nas brincadeiras de criança, nos cadernos escolares, nos dias frios ao lado do fogão à lenha, na roupa bonita pra missa de domingo, nas matinês, no primeiro encontro às escondidas, no amor proibido que foi tão intenso... Nas repreensões, no fim. No dia em que conheceu aquele com quem passaria o resto dos dias, no conformismo, na busca pela felicidade infinita na sua vida de vinte centimetros de profundidade.
No emprego na farmácia, na gravidez. No dia em que, do outro lado do balcão, atendeu aquela pessoa que tinha deixado partir sem lutar e fingiu não ter reconhecido, apesar de aquele olhar ser reconhecível em qualquer canto do universo. Na vergonha de olhar pra frente e decidir fitar a barriga que já denunciava seis meses de gestação. Na vontade de caber no pacote de aspirinas que cabia tão perfeitamente na mão do amor que podia ser segurado pra não cair, pra jamais se perder de seus dedos.
Nas festas de fim de ano em família, nas apresentações de dia das mães na escola, nas construções, nos automóveis, nos móveis, nos churrascos, nas sobremesas, nos quadros, nas cortinas, nos livros, nos ursos de pelúcia, nos buquês de flores, nas brigas de casal, nas brigas das crianças, nos salários, nos meses de aperto, nos meses de fartura.
No dia que o primeiro filho saiu de casa, depois o segundo, depois a terceira. No dia em que enfrentou a morte. No dia em que voltou para casa sozinha para sempre. Na vinda dos netos, nos telefonemas esporádicos dos filhos que mudaram de cidade. Em todos os momentos de espera que antecederam alguma realização que não a completava. Nos momentos de espera que foram apenas momentos de espera, sem realizações. Em cada pequena situação que gerou expectativa.
Embora diga que prefere atravessar a rua para sentar à tarde por causa da grama, por causa da sombra da árvore, porque no seu quintal bate sol o tempo inteiro, no fundo ela sabe que atravessa porque espera algo que ainda não veio, apesar de tudo que veio e foi, que veio e ficou mas não ficou.
Vou contar o verdadeiro motivo da travessia: é porque ainda quer esperar, precisa esperar, mas sabe que o que espera jamais chegará enquanto estiver na vida que escolheu cotidianamente para viver. Então pega sua cadeira de praia para tentar ambientar o lugar que está como algo que não é, pega suas culpas e desculpas, foge das provas acusadoras de uma existência real paralela, passa a mão no cachorro e aguarda.
Espera pelo que virá para todos, ciente de que o que era para ela se perdeu em um segundo de um minuto de uma hora de um dia de um mês de um ano dos anos meio vividos, meio negligenciados.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

São tantas as portas...

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e são todas iguais. Mas, sabidamente, levarão a caminhos tão diferentes. Eu fico aqui olhando para cada uma delas, pensando no que poderá acontecer quando eu resolver qual abrir. Ao decidir, entrarei pelo caminho pensando no que abandonei sem nem saber que existia. Conforme for adentrando, passo após passo, perceberei que a escolha que fiz na verdade não era bem aquela que queria ter feito. Já estarei longe demais, envolvida demais, longe...
Estas possibilidades me prendem ao corredor de opções e me derrubam.
Uma porta puxa meu braço direito.
Outra puxa o braço esquerdo.
Uma porta puxa minha perna direita.
Outra puxa a perna esquerda.
Uma porta puxa minha cabeça
e a gravidade me prende ao chão.
Cada parte do corpo voltada para uma expectativa.
Meu corpo inteiro em lugar comum
indo pra lugar nenhum.

domingo, 20 de setembro de 2009

De onde vem?

Venho para meu esconderijo virtual com todos os propósitos loucos de pessoa humana que sou. Querendo gritar poesias, sair correndo, bagunçar os cabelos, rasgar cortinas, quebrar portas, queimar folhas, derrubar muros.
Venho para meu campo aberto virtual querendo empurrar quem atrapalhar o meu caminho, descer escadas, rolar nas calçadas, subir ladeiras, sentir músculos esquecidos enquanto as pernas tentam vencer a verticalidade e apreciar a dor causada pelas partes do corpo que cotidianamente se dão por inexistentes por não serem estimuladas.
Vim para o meu presídio virtual querendo deixar que a liberdade da imaterialidade dos pensamentos escorra pelas mãos, deslize pelos dedos, transcenda as barreiras epiteliais, fuja e tome forma em algum lugar fora deste corpo, que é cativeiro irremediável, sequestrador torturante, dominador irresignado mas descuidado por as permitir escapar e me permitir fazer através da escrita aquilo que eu tenho fome, desejo, às vezes até necessidade e reprimo.

Da série 'frases que eu queria ter escrito.'

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'Peguei os remos do bote e joguei para longe...
Vi que a correnteza é mais forte que minhas braçadas.'